Rodeio em Guarulhos, NÃO! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dr. Rafael Claro Marques   

Crueldade nos RodeiosHoje, em comemoração ao Dia Mundial dos Animais comemorado neste último domingo (nos dias 4 de outubro) falaremos sobre um assunto um pouco chato, porém presente atualmente na nossa cidade. Antes de qualquer coisa, é incrível como pessoas

com cargos tão importantes na sociedade utilizam-se disto para satisfazerem suas próprias vontades e, o pior, lucrar com isso.

Na última quarta-feira (7 de outubro) ocorreu na Câmara Municipal de Guarulhos uma audiência pública, no mínimo, bastante tumultuada. O debate foi em torno do projeto do vereador Wagner Freitas (PR), que propõe a volta dos rodeios à cidade. Logo no início do pronunciamento do próprio vereador Wagner Freitas ocorreu confusão na platéia, aonde os apoiadores de chapéu confrontaram os ativistas.

Desde 2004, rodeios e vaquejadas estão proibidos. A volta deste tipo de atividade seria um lamentável retrocesso ao município, além de desprezar uma conquista tão importante com a lei 6.033/04, de autoria do Vereador José Luiz Ferreira Guimarães.

Os que defendem a prática dos rodeios usam como argumento os ganhos materiais e a geração de emprego. No entanto, diversos laudos técnicos produzidos por veterinários comprovam o alto nível de estresse e pânico nos animais que participam desses espetáculos. Triste cidade cuja economia depende desta atividade.

Não há rodeio sem crueldade. O emprego de sedém, esporas, peiteira, sinos, fora a tortura prévia — com choques elétricos, espancamentos, perfurações — mais o volume do som e o barulho da platéia, causam sofrimento aos animais.Quem Procura Acha

Os rodeios estão proibidos em muitos municípios brasileiros, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Nos Estados Unidos também são proibidos em diversas cidades. A relação homem-animal vem se modificando ao longo do tempo e a sociedade tem se mostrado cada vez mais consciente sobre as questões relativas ao bem-estar animal. Já são de conhecimento no meio veterinário, em nível internacional, as chamadas Cinco Liberdades, que avaliam se um animal está em condições de bem-estar ou não, sendo: Livre de fome e de sede; Livre de desconforto; Livres de dor, lesões e doenças; Livre de medo e estresse e Livre para expressar o seu comportamento natural.

Creio que a humanidade passa por um processo de civilização e se encontra num estágio onde a violência é repudiada pela sociedade. As práticas brutais com os animais, além de moralmente indefensáveis, estão muito próximas da violência contra os humanos. A nós, cabe apenas esperar a resolução do conflito, ou melhor, do debate e torcer para que não regressemos a 2004, quando maltratar animais ainda era lazer em Guarulhos.

Matéria Publicada Jornal Guarulhos Hoje 10/10/2009

Última atualização em Seg, 01 de Fevereiro de 2010 11:18