Displasia Coxofemoral PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dr. Rafael Claro Marques   

Displasia CoxofemoralEntre os animais, observamos algumas doenças hereditárias bastante comuns. Cabe aos veterinários, criadores e proprietários prevenirem a perpetuação destas doenças, mas hoje em dia, observamos como isso é difícil.

Uma das doenças mais comuns entre os cães, de caráter hereditário, é a displasia coxofemoral. A displasia é uma doença ortopédica influenciada por fatores genéticos, geralmente transmitida de maneira hereditária, isto é, se algum dos pais apresentarem a enfermidade, a chance dos filhos também apresentarem é muito grande. A doença é caracterizada por uma alteração da articulação do osso do fêmur com a pelve (a famosa bacia), ou seja, uma má inserção do membro traseiro na cintura pélvica. Ela pode acometer apenas uma articulação, mas na maioria dos casos acomete bilateralmente. Geralmente afeta tanto machos como fêmeas, sendo que as raças mais predispostas são as raças grandes, como Rottweiler, Pastor Alemão, Labrador, Golden Retriever, Fila, São Bernardo e outras.

O principal sintoma é a claudicação, devido à dor aguda na articulação afetada. Alguns animais compensam a dor, poupando o membro afetado. Isto causará uma atrofia do membro poupado, notando-se facilmente a diferença entre a musculatura de uma pata e outra.

Os primeiros sinais podem aparecer em animais filhotes, porém alguns animais convivem com a doença e não demonstram sinais nos primeiros anos de vida. Estes podem apresentar ou não os sintomas, dependendo do local aonde vivem. Os maiores inimigos dos cães com displasia são, em primeiro lugar, o piso liso e, logo em seguida, vem a obesidade. Estes dois fatores externos influenciam em muito na evolução da doença. Assim, para esses animais deve-se evitar mantê-los em pisos escorregadios, evitar escadas e a temida obesidade.

O diagnóstico é realizado através do histórico do animal e de avaliação radiológica para observar a articulação. No caso dos Rottweilers (a raça mais acometida), deve-se fazer o exame prévio para descartar a doença antes de permitirem que os animais cruzem. Essa é a grande dificuldade que encontramos no controle desta doença, já que uma grande porcentagem dos Rottweilers apresenta o gene da doença, e cruzam entre si livremente.

O tratamento varia conforme o caso, alguns animais necessitam apenas de medicação, enquanto outros necessitam de cirurgias corretivas (colocação de próteses, denervação da área com dor ou retirada da cabeça do fêmur).

É importante lembrar que um cão com displasia coxofemural pode ter uma vida normal, mas não deve ser utilizado para reprodução. Mesmo se um filhote é normal, mas seus pais são doentes, não se deve utilizá-lo também, pois seus filhos podem apresentar os problemas articulares.

Publicado no Jornal Guarulhos Hoje, em 30/01/2010.

Última atualização em Qui, 11 de Fevereiro de 2010 14:59